O ofício alheio

1985: Primeira edição italiana, Torino, Editora Einaudi

XXXX: Primeira edição brasileira, São Paulo, Editora da UNESP

Trecho retirado de Renato Lessa, “À guisa de posfácio: o trajeto leviano”, In: Renato Lessa & Rosana Kohl Bines (orgs.), Mundos de Primo Levi, Rio de Janeiro: Editora da PUC-Rio, 2021.

O penúltimo livro de Primo Levi, editado em vida, reuniu em 1985 cerca de cinquenta ensaios escritos entre 1964 e 1984, publicados no jornal torinense “La Stampa”. Marco Belpoliti definiu L’altrui mestiere (O ofício alheio) como sendo o “livro mais curioso, bizarro e agudo, no qual [o autor] se mostra como entomólogo, linguista, antropólogo, astrônomo, filólogo, crítico literário e, também, intrometido”[8]

 O juízo de intromissão deve-se à multiplicidade de temas e domínios submetidos á curiosidade leviana. O crítico literário Mario Porro destacou o aspecto crítico de Primo Levi a respeito do tema das “duas culturas”, sobretudo no que diz respeito a uma demarcação entre a “cultura científica” e a “cultura humanística”[9]

A imagem do “ofício alheio” vale como metáfora da intrusão que resulta do interesse intelectual omnívoro de Primo Levi. Nessa medida, faz todo o sentido a descrição aposta na quarta capa da edição Einaudi, que destaca o aspecto autobiográfico do autor da “súmula de experiências e de pensamentos extravagantes”, contida no livro em questão. Na mesma chave, parece razoável supor que La ricerca delle radici (Em busca das raízes) e L’altrui mestiere operam em uma mesma frequência – ou “período” -, como pontos de observação privilegiados dos circuitos imaginários e intelectuais por onde transitou a ação criadora de Primo Levi. Trata-se de um livro genial, com ensaios incontornáveis, embora tenha sido o de menor sucesso editorial, com uma tiragem de “apenas” 14.000 exemplares. A despeito disso, o livro propiciou a Primo Levi sua última distinção em vida: o Prêmio Aquileia, de 1985

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